quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

TCC sobre o FIM DA HISTÓRIA

Tecnologia, o grande desafio
É bem verdade que aos poucos os computadores e outros atrativos tecnológicos vêm, cada vez mais, povoando as escolas públicas. “As TICS, tecnologia da informação e comunicação. Cada vez mais, parece impossível imaginar a vida sem essas letrinhas. Entre os professores, a disseminação de computadores, internet, celulares, câmeras digitais, e-mails, mensagens instantâneas, banda larga e uma infinidade de engenhocas da modernidade provoca reações variadas.” ( revista nova escola Ed 223.)
Os equipamentos que na década anterior eram privilégios de poucas escolas brasileiras, mesmo assim, sendo restritos ao processamento de texto e acessos a internet , hoje passa a ser utilizado por professores e alunos de escolas públicas em grande parte de nosso país.
Infelizmente, segundo dados do próprio ministério da educação apenas 11% de nossas escolas estão com laboratórios de informáticas (Fonte Revista Nova escola - dados de 2006), esses por sua vez nem sempre estão cumprindo sua missão de propagar conhecimento e proporcionar a inclusão digital tão comentada na mídia televisiva. “Em muitas escolas os computadores ficam durante a maior parte do tempo confinados a salas que só abrem para aulas de informática, sem se incorporar ao projeto político pedagógico da escola. É como deixar trancados os livros da biblioteca ou limitar seu uso...” (revista nova escola Ed 195 de setembro de 2006).
O texto da revista Nova Escola, mesmo sendo em 2006, está correto ao afirmar que o uso dos laboratórios de informática em nossas escolas é mínimo. Nos professores precisamos lançar mão dessa ferramenta de trabalho que hoje desperta grande interesse em nossos alunos, é preciso que façamos uma reflexão de como estamos utilizando-o em nossas aulas.
Bertrand Gille definiou em 1978 que “...todas as técnicas são, a rigor, em diferentes graus, dependentes umas das outras, e é absolutamente necessário que exista entre elas uma certa coerência...” (A religação dos saberes, François Caron, pag 409). Se a dependência das técnicas são necessárias, vejo de fundamental importância unir os equipamentos e tecnologias que as escolas possuem as aulas teóricas. Então sempre faço a seguinte pergunta durante o planejamento de minhas aulas: como posso usar o computado para o conteúdo que estou trabalhando? De início logo vem a resposta, colocar os alunos para fazer uma pesquisa e montar um trabalho. Acho pouco para o pontencial que tal máquina nos oferece, se olharmos para a história, tendo como referencial nosso presente se o homem não tivesse explorado todo potencial elétrico onde estaríamos?
O uso da eletricidade durante os anos 1880-1900 ajudou a impulsionou a melhoria na iluminação pública e na criação do motor eletrodinâmico, de forma análoga as novas tecnologias podem melhor o ensino.
Nos dias atuais a internet tem sido o “carro chefe” para quase tudo que o ser humano vem fazendo, para o professor e aluno isso não é diferente. O uso da informática a priori foi voltado para as necessidades e prioridades militares, principalmente a internet. Porém esse descoberta saiu das mãos dos militares e passou para todo o mundo, criando o mundo cibernético o qual todos, quase sem exceção, fazemos parte.
A velocidade com que as coisas do meio tecnológico vem aparecendo é qualquer algo de deixar os mais otimista louco. A necessidade de avançar em busca de novidade para satisfazer a população consumidora é muito veloz. Desta forma funciona a cabeça de nova geração de alunos a “geração 2.0”, por isso os professores tem que fazer “up grade” de suas técnicas de ensino, sair um pouco da pesquisa pura, a qual, segundo Edgar Morin, é: “A pesquisa pura tem como objetivo desenvolver o conhecimento do universo...”, devemos partir para a pesquisa aplicada segundo o próprio Morin tem a finalidade de “aumentar os meios de produzir bens destinados ao consumidor final...” desta forma nós, enquanto professores, temos que dar sentido ao uso da tecnologia, produzindo conhecimento e abrindo possibilidades para que nosso aluno possa criar e utilizar a ferramenta que muitos deles dominam com grande facilidades.Temos que buscar um olhar diferenciado sobre esse recursos, produzir mudança de paradigmas em nossas vidas, trazer nosso aluno a compartilhar de nossas dúvidas, conhecimento, criatividade no manuseio de computadores, celular, ipodes, TVs, DVDs e tudo mais que possa ser usado e identificado pelos nossos alunos como sendo algo novo, algo diferenciado dentro das aulas habituais.
“ A difusão das novas tecnologias não é mais interpretada como o cumprimento das aspirações de uma sociedade em movimento, mas como a consequência de uma estratégia de oferta agressiva, por parte dos atores da mudança técnica...A dinâmica do sistema técnico repousa também sobre uma excitação dos desejos, constantemente exacerbada pela renovação permanente dos produtos e serviços oferecidos...” (A religação dos saberes, François Caron, pag 417). Desta forma a busca constante de novas técnicas que possam agradar seu público consumidor, no caso o aluno, passa também a ser exacerbada pois somente dessa forma o professor poderá atingir, se não em sua totalidade, parte de seus objetivos.
Se o nosso passado tem sempre um futuro, segundo Paul Ricoeur, por que não buscar no nosso futuro as ferramentas necessárias para mudar e alterar a herança do nosso passado na educação?
É comum observar que tudo, em algum momento, será substituído, assim aconteceu com “ ...documentos de arquivos em que as fontes narrativas, os testemunhos são substituídos pouco a pouco por fontes não narrativas, todo vestígio do passado tendo uma vocação a torna-se documento. (Religação dos Saberes, Paul Ricoeur, pag 371). Tanto nossos alunos como a suas redes sociais passam por modificações, a sociedade da qual eles fazem parte constantemente sofre mudança, o país passou e esta passando por alterações tanto em sua parte econômica como ética, mesmo que essa ultima seja de forma lenta. Se somos em nossa essências seres mutáveis em nossos comportamento e na nossa ética e deveremos buscar também sermos professores abertos a mudança no nossos paradigmas, não devemos esperar alunos: obedientes, disciplinados, passivos, atentos, em fim modelos de comportamentos ou seja alunos das décadas passada. Se nosso passado agora mais que nunca depende de nosso futuro vamos buscar torna esse horizonte cada vez melhor.
Durante o ano de 2008, passei por uma experiência nova. O governo do Distrito Federal criou o projeto então batizado de Vereda para tentar corrigir a defasagem idade x série dentro das escolas públicas. Como tenho pouco tempo de secretária de educação no processo de distribuição de carga sobrou as turmas desse projeto. Começou aí um longo período, o qual durou, a princípio, 02 meses de incertezas, eu e meus colegas professores não sabíamos exatamente como trabalhar o material que tínhamos em mãos. A secretaria não nos passava nada de concreto éramos professores e alunos em um barco a deriva.
Por fim tivemos nosso primeiro treinamento, agora já com projeto definido e com um rumo a ser tomado. Tivemos então algumas informações que nos faltava no início do ano letivo. Fomos informado que não teríamos mais disciplina fixa, que trabalharíamos tudo no sistema modular, que todas as aulas seriam gravadas em DVDs e que o sistema de ascensão para as séries seguintes seria diferenciado. Tudo isso gerou muita confusão, nossos alunos ao mesmo tempo que achava interessante o uso de tais recursos tecnológicos ficavam sem ter segurança se somente aquilo lhe garantiria o aprendizado e o conhecimento para seguir sua vida acadêmica. Foi então que aos pouco comecei a notar que todos os recursos tecnológicos (TV, DVD, SOM, etc) poderiam cair bem dentro dessa nova metodologia política educacional imposta pelo GDF.
Passamos a preparar as aulas seguindo a metodologia de trabalho desenvolvida no treinamento de professores pela Fundação Roberto Marinho. Deixamos as críticas de interesses pessoais e passamos a pensar em nossos alunos. Iniciávamos as aulas sempre com dinâmicas na maioria das vezes utilizando som ou mesmo mp3 ou celular, trazidos em grande parte por eles. Notei que cada dia eles tinham uma ligação de confiança e afetividade cada vez maior comigo, bem como o uso de tecnologia agradava a eles, não era esquecido a mídia impressa, usávamos muito jornais, artigos de revistas, etc. Passamos a fotografar tudo em nossas aulas, a câmera digital passou a ser um instrumento de nosso dia-a-dia. Ao final de cada módulo, eu preparava uma espécie de diário eletrônico o qual, continha fotos dos trabalhos e atividades realizados em sala, bem como os passeios, procurava trazer sempre o registro de nossa caminhada junto com a turma, ao final da exibição, fazíamos uma reflexão sobre todo o ocorrido, tentávamos buscar os pontos positivos sempre, mais não deixávamos de lado nosso erros tanto meus como deles, “a estrutura que assegura a transição da memória à história é o testemunho...” (A religação dos saberes, Paul Ricoeur, pag 375). Procurava, com o uso da tecnologia, assegurar o testemunho dessas turmas, mostrando para aqueles jovens que eram e são capazes de construir algo de bom dentro da educação e não apenas meros participantes do processo, chegando na maioria das vezes serem taxados como “problemas” dentro da instituição educacional.
Outro fato marcante envolvendo o uso de intrumentos tecnológicos ocorreu nesse ano, após a problematização da aula e algum debate sobre o assunto em sala, convidei a turma para uma ida até o laboratório de informática, infelizmente estávamos sem internet porém já tinha uma idéia em mente e coloquei-a em prática: Dividi os alunos em grupo e solicitei que fizessem o resumo da aula em slides no Power point, inicialmente houve um certa confusão pois muitos deles não conheciam a ferramenta, isso necessitou de mim uma grande dose de paciência e pessistencia, notei que no decorre da atividade eles estavam cada vez mais interessados e estavam conseguindo produzir aquilo que foi proposto além de leva-los a conhecer melhor outro recurso da informática diferente da internet.
Por tudo isso acredito que a tecnologia é uma ferramenta muito grandiosa na mão dos professores, hoje podemos preparar aulas que antes ficavam apenas no nosso imaginários, podemos brincar de fotógrafos, editores de jornais, visitar museus a quilômetros de distância, criar comunidades, em fim podemos ser criativos.
Porém nada na vida vem sem esforço, a necessidade de atualização do professor é extremamente necessária, sua dedicação a mudança de paradigma no ensinar e no aprender são fundamentais. Somente com o conhecimento do uso das ferramentas tecnológicas as quais o professor utilize é que esse poderá fazer sua aula criativa e proveitosa. Tenho certeza que assim como foi o aparecimento do quadro branco e do pincel em substituição a lousa convencional a tecnologia veio para a sala de aula para tornar tudo mais atraente aos nossos alunos.

Geysson Flávio

Referencias Bibliograficas:
Revista Nova Escola Edição nº 195 setembro de 2006
Revista Nova Escola Edição nº223 junho/julho de 2009
MORIN, Edgar. A Religação dos Saberes O desafio do século XXI: Jornadas Temáticas idealizadas por: textos de François Caron e Paul Ricoeur.

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