Analisando um texto de Manoel Luis Salgado Guimarães para o curso da EAPE-DF sobre "A aula de história e o fim da história", faço abaixo um pequeno comentário sobre o mesmo espero que gostem.
O processo de construção da historiografia nacional baseia-se em muitos aspectos ao modelo de construção da história européia.
Em busca de uma identidade o projeto brasileiro segue em uma direção de consolidação do Estado Nacional, para isso necessita de fortes instituições, as quais poderão justificar e multiplicar as idéias das verdadeiras raízes do povo brasileiro.
Surge a criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), o qual tinha a seguinte tarefa conforme citado pelo autor - “ ...delineamento de um perfil para a “Nação brasileira”, capaz de lhe garantir uma identidade própria no conjunto mais amplo das “Nações” de acordo com os novos princípios organizadores da vida social do século XIX.”
Nessa caminhada em busca da identidade a visão do pais é direcionada para as elites, fazendo com que essa camada social passe a explicar o resto da sociedade. Nesse sentido foram deixados de fora, índios e negros. A Nação idealizada pelos nossos antepassados seria a de uma civilização branca e européia.
Para que essas idéias pudessem tomar formato, seria necessária a criação de um órgão que proporcionasse ao governo agir como se fosse um de seus “braços”. Dessa forma o governo qual passou a investir pesado em suas pesquisas.
A sociedade de corte, apontada pelo autor como sendo, a formadora das idéias da nova sociedade, vai buscar no espaço acadêmico o reforço que precisava sendo assim, construção do eixo central do projeto passa pela elite imperial. Segundo Guimarães vem da França o papel “civilizador” fornecendo os modelos da vida social e do trabalho intelectual, dando ao Brasil a uma cara francesa..O iluminismo e suas concepções é outra grande corrente que ganha força entre nossos historiadores, até porque como já disse anteriormente a França é o grande modelo para essa formação social brasileira. Tudo isso era para que fosse homogeneizado em torno nas idéias dessa sociedade imperial.
Sendo assim o autor define como papel do IHGB da seguinte forma: “ O conhecimento da história adquiriu um sentido garantidor e legitimador para decisões de natureza política, normalmente aquelas ligadas às questões de limites e fronteiras...” Desta forma a instituição passa a servir claramente a fins políticos, passando a agir como fieis súditos da monarquia.
Nesse contexto o negro é deixado de fora, o índio é visto somente como força de trabalho e ambos impedem o crescimento da Nação.
Fica claro que a visão européia dentro do processo de identificação é cada vez mais forte, talvez se possa explicar o porquê da marginalização do negro, pois desde o início desse projeto ele é uma figura marginalizada.
Recentemente em um curso chamado: “História da cultura Afro-Brasileira e Africana na Escola” pude observar o quanto à cultura negra é marcante em nosso meio e que essa força vem desde nosso processo de colonização e agora, ao estudar este texto, não pude deixar de fazer comparações com a situação do negro em nosso país, outro fator que chamou muita atenção foi a entrevista com o geógrafo Milton Santos, em um programa de entrevista. Ele fala entre outras coisas sobre a posição atual do negro dentro da sociedade brasileira. Desta forma observa-se que o negro foi e de alguma forma continua sendo deixado de fora do processo de construção dessa sociedade.
Conclui-se que a formação de nossa sociedade ganha um espaço maior com a criação do Instituto, também o índio passa a ter espaço nas discussões dos estudiosos da época. Colocando a problemática indígena como tema principal o governo passa a controlar o índio em nome do Estado Nacional e de suas fronteiras.
E o negro onde fica na formação desse Estado? Lhe é reservado apenas grandes lacunas na sua concepção, além de um certo desprezo do colonizador e dos nossos primeiros historiadores.
Não houve na formação do nosso estado Nação a busca pelos elementos humanos verdadeiros que formarão nossa sociedade e sim buscarão as questões de físicas, ou seja as fronteiras em primeiro plano.
Por fim o texto traz um relato sobre a formação do Instituto e seus objetivos em quanto aliado do governo. A proposta de identidade para a Nação, seria um modelo importado da Europa com o “pedigree” dado pela França. Esse processo explica o porquê da exclusão social de negros e índios em de nossa sociedade, pois o não reconhecimento gera atualmente o desequilíbrio econômico entre esses segmentos de nosso povo, pois tais etnias não têm a identificação justificada ao longo desse processo de formação do Estado Nação.
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